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FISL17 no rumo certo!

17 de Novembro de 2015, 10:31 , por Sanzio Godinho - | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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Esta semana foram publicados os novos adesivos do #FISL17. E entre um Darth Vader chifrudo e um cérebro eletrônico está o mais lindo deles: um GNU vazado contendo a fauna de ícones dos principais projetos de Software Livre. O recado é claro e evidente: #maisGNU. Mas um olhar mais aguçado perceberá que dois símbolos muito importantes não estão mais ali.

Faz alguns anos estamos explicando para o ativismo do Software Livre que temos sério problemas em nossa comunidade e em nosso movimento. Projetos, eventos e ativistas antigos e respeitados vem se distanciando gradativamente do conceito ideológico, social e revolucionário do Software Livre. Em alguns casos esse distanciamento é feito de forma pensada, pois as pessoas tem o direito de mudar de opinião. Em outros casos trata-se do “comportamento de manada”: quando as pessoas percebem que muitos fazem algo, então elas assumem prontamente, que esse algo é correto e passam a repetir a ação sem avaliar mais profundamente.

Projetos como o Kernel Linux tem se aproveitado desse expediente para tornar seu nome e ícone – o Tux – sinônimos de sistema operacional em Software Livre. E isso não seria nada além de uma tremenda injustiça com o GNU, se não fosse um golpe levado a cabo de forma premeditada: o kernel linux vem sendo recheado com softwares não livres desde 1994. É claro que podemos buscar todas as desculpas imagináveis, mas nada muda o fato de que o kernel linux não deveria mais ser classificado como Software Livre graças a quantidade massiva de softwares privativos contidos nele. Então usar a palavra Linux ou o simpático pinguim – o Tux – como símbolos de liberdade é enganação pura e deve ser evitado. É claro que isso foi sendo feito paulatinamente, então enquanto o “comportamento de manada” foi massificando que o Tux simboliza o Software Livre, o linux foi embutindo mais e mais software não livre.

Em outro nível não é a inserção marota de software não livre, mas a inserção de Software Livre malicioso. É estranho isso, mas a Canonical criou uma nova modalidade de software espião: o spyware livre ou “openspy”. Eles inseriram um aplicativo que vem ativado por padrão no Ubuntu que coleta dados do seu ambiente de trabalho e de pesquisas feitas localmente e manda os dados para empresas de terceiros. Isso sem o conhecimento do usuário. É claro que em se tratando de Software Livre, pode-se auditar o spyware, desinstalar o spyware e até mesmo distribuí-lo livremente se você quiser. Quando expostos a Canonical e sua equipe disseram que isso não era nada demais, que todos faziam isso, que era um comportamento normal de mercado. Parece que de uma hora para outra ter o logotipo vinculado fortemente ao Software Livre e seus princípios, não tinha mais a menor importância.

Muitos dirão que a distância entre o Ubuntu e as demais distribuições que distribuem o kernel linux cheio de softwares não livres é mínima e que há algo de pessoal na oposição a Canonical, mas isso será apenas uma tentativa de minimizar o problema. O movimento #semUbuntu também é o #maisGNU e focamos no Ubuntu por se tratar do maior expoente desse novo modelo de fazer negócios enganando as pessoas embutindo softwares não livres onde não deveriam. Não isentamos nenhuma distribuição que façam a mesma coisa, mas distribuições comunitárias como Fedora, openSuse, CentOS e Mandriva mantêm o linux privativo por desvio ideológico, enquanto a Canonical mantém o Ubuntu infectado por decisão comercial. E há uma diferença enorme entre os dois casos. Mas isso é assunto para outro Artigo.

Então ver “linux”, “código aberto”, “tux”, “ubuntu” e “FOSS” como símbolos do Software Livre foi ficando cada vez mais comum em eventos por todo o mundo, inclusive no FISL. Mas como esses símbolos já não representam mais o Software Livre, estava na hora de fazer uma correção no rumo do uso desses símbolos. No FISL16, Alexandre Oliva e eu fizemos uma apresentação longa detalhando porque “O Tux não nos representa” e fico muito feliz em perceber que atingimos algumas mentes.

O adesivo do FISL17 ao qual me refiro não traz o logotipo do Ubuntu e substituiu com destaque o Tux pelo Freedo, o pinguim azul com toalha de banho que representa o linux-libre, distribuição livre e limpa do “sujinho” linux.

Parabéns ao FISL pela coragem em virar o timão desse gigantesco navio e apontar a proa em direção aos verdadeiros valores e símbolos do Software Livre. Mais feliz do que um GNU na savana africana no primeiro dia das chuvas de verão!