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A liberdade do Software e a sua liberdade, são a mesma coisa?

17 de Novembro de 2015, 10:15 , por Sanzio Godinho - | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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Thiago Faria Mendonça

Salve salve turma jovial bonita! Tudo em cima? Lembrem-se: Se você é jovem ainda, jovem ainda, jovem ainda, amanhã velho será, velho será, velho será! A menos que o coração, que o coração que sente, a juventude, que nunca morrerá!

No acesso.me, volta e meia falo sobre GNU/Linux e liberdade de software. Você que caiu de para-quedas aqui, clica no GNU bonito ali em baixo e dê um visu em outros posts, hoje o que eu quero falar aqui com vocês é sobre uma diferenciação básica de liberdades que eu vejo muita gente esquecendo por ai nesse mundão de Deus e cometendo gafes horrendas por conta disso.

gerwinski-gnu-head

 

Quando você desconhece alguma coisa e começa a ser ensinado (por alguém, alguma coisa, algum lugar), você se depara sempre com a sua liberdade de escolha. Já repararam nisso? Pensa comigo:

Você é uma criança que viveu a vida inteira indo à igreja porque seus pais te obrigavam, um belo dia você começa a estudar coisas diferentes sobre religiões diferentes ou sobre a ciência que explica os fatos miraculosos que acontecem na biblia, você, que nunca antes teve acesso a esse tipo de informação agora tem em suas mãos uma liberdade incrivel! A liberdade de escolher qual caminho trilhar! O que você está conhecendo, o que você decidiu criar juntando os dois ou se abster de tudo e não trilhar mais nenhum deles! Perceba, a real liberdade de escolha do que fazer só acontece quando você adquire conhecimento de causa.

Com relação a sua posição filosofica / mercadologica / profissional / prática / emocional em essencialmente tudo na vida é assim.

Quando falamos de Software Livre a decisão de aderir ao movimento (em qualquer nivel de adesão que você acha necessário) é a mesmíssima coisa. Você nunca ouviu falar do que raios seria SL e quando adquire conhecimento sobre, você tem TODA a liberdade do mundo de decidir aderir a essa filosofia computacional/social ou não! O mesmo vale para o OSI (que, possui sim uma filosofia atrelada a iniciativa, porém a mesma, embora parecida em certos aspectos com a do Software Livre, possui pontos primordiais diferentes), com o Software Privativo e com qualquer outro tipo de computação que existe por ai que eu desconheço.

Porém, a partir do momento que você usa a sua liberdade de escolha e toma uma decisão, você automaticamente deixa de possuir essa liberdade. Você decidiu seguir um caminho! E as suas opções são: seguir ele ou parar de segui-lo, qualquer outra coisa será uma variante dessas duas…

Complicou não é?

Vamos a alguns exemplos.

Na década de 1980 quando o Stallman não conseguiu mais se adequar ao modelo computacional que seu trabalho no MIT lhe propunha, ele decidiu com a liberdade de escolha dele, criar uma alternativa aquele modelo computacional e começou a base do que seria (em 1983) o Movimento do Software Livre, movimento do qual eu sou adepto e milito em prol. Stallman perdeu a liberdade de escolha dele quando decidiu qual caminho trilhar…

Lá entre 1998 e 1999, Bruce Perens e Erc S. Raymond fundara a OSI (Open Source Initiative) como um modelo dicidente do Software Livre! Eles trilhavam caminhos diferentes, usaram sua liberdade de escolha e começaram a trilhar o caminho do Software Livre, decidiram que aquele caminho não batia direito com seus ideais e deixaram de seguir ele… criando assim um caminho próprio…

E da mesma forma que essas pessoas usaram a liberdade de escolha delas (que a Microsoft usou como jargão para seu maravicalamitoso Windows98) eu usei a minha e decidi seguir o movimento fundado pelo Stallman… após tomar essa decisão, eu abri mão da minha liberdade.

O problema todo é que, para nós que tomamos essa decisão conscientemente, isso é algo extremamente claro e objetivo! Tem de ser! Se você resolve se associar a um movimento chamado Software Livre em uma sociedade que prega a Liberdade de Escolha, a sua decisão e o que ela acarreta tem de ser algo muito claro! Infelizmente, nem todos conseguem dissociar uma coisa da outra… possivelmente pela confusão de nomes ou talvez por falta de vontade de entender, não sei…

Um exemplo disso é a forma que as comunidades anti SL (não vou chama-las de pró OSI ou pró Microsoft ou pró qualquer outra coisa, porque generalizar não é bom), essas comunidades anti SL tem em seus membros uma pulga enraizada de tal forma que textos vindos de militandos do Software Livre, simplesmente por ser a favor de algo que eles são contra, se tornam uma fronta pessoal… Citando aqui como exemplo o episódio do FLISOL sem Ubuntu, onde várias pessoas (incluindo eu mesmo) publicaram textos em prol da não inclusão da distro da Canonical em um festival de instalação de Software Livre. Do nada, após a divulgação dos textos, quaisquer um que tivesse postado era alguém que estava atrasando o crescimento do Software Livre, pois a Canonical isso, a Canonical aquilo… e a grande maioria da massa chorumesca (aquela que só quer ser hater sem buscar argumentações saudaveis) começou a tentar diluir o movimento #semUbuntu tentando diminuir a importância do mesmo.

Não é bem assim…

#semUbuntu e #maisGNU, embora tenha dois nomes diferentes, é um único movimento formado por militantes do Software Livre que enxergam que o movimento tem perdido sua força ao longo dos anos, mesmo em eventos onde o próprio movimento era o foco. E esse movimento pró software livre decidiu começar uma militância em prol de uma limpeza da distribuição GNU/Linux não livre distribuida pela Canonical, simplesmente por ela ser a mais usada e com viés empresarial (diferente do CentOS, Fedora ou qualquer refisefuqui de Ubuntu menor que são guiadas por comunidade). A militância do #semUbuntu / #maisGNU é, sempre foi e sempre será em prol do software livre e de sua representatividade.
Isso quer dizer que o #semUbuntu não dá a mínima para OpenSUSE, Fedora, CentOS, Elementary ou qualquer outra distro que distribua o kernel linux não limpo de blobs e uma pá de software proprietário por omissão em sua instalação? De forma alguma! Somos #semUbuntu sim! Mas somos sempre #maisGNU!
Isso quer dizer que quanto mais software livre, melhor! Tanto é que, estou nesse momento escrevendo esse texto usando o gedit em um trisquel rodando em um thinkpad x60s com libreboot que é meu equipamento padrão de trabalho, e quer saber de uma coisa? A sensação para mim, enquanto ativista de Software Livre, é quase divina…

Aproveitando esse texto que tem como objetivo terminar de vez com algumas confusões, quero também deixar um adendo aqueles que tentam ferir ativistas de software livre com a falácia de que, sem hardware livre não há software livre.

Assim como Liberdade de Escolha e Liberdade de Software são duas coisas completamente diferentes, Liberdade de Software e Liberdade de Hardware também o são.
A liberdade de software depende da comunidade para acontecer. Uma vez que exista software livre, desenvolvedores escrevendo programas e pessoas usando, o software livre está vivo.
A liberdade do hardware depende exclusivamente de modelos mercadológicos. Se uma fabricante decide ou não abrir o source de seus perifericos para a comunidade e deixa-los ou não sob as quatro liberdades, é uma escolha da fabricante, escolha essa que para eles é uma questão simplesmente monetária.

Pense comigo, a Intel estaria mais interessada hoje em liberar os esquemas da sua próxima linha I7 para a comunidade e correr o risco da AMD pegar esses esquemas, melhora-los e fazer uma linha nova de processadores ou seria de maior interesse manter esses esqueme a 37 palmos do chão? Não estou dizendo que concordo com essa visão, e sim expondo uma de muitas barreiras.

Em todo caso, o fato é, A existência da liberdade do software independe da liberdade do hardware, depende sim da amigabilidade do mesmo, como é o caso desse thinkpad x60s que estou usando. Após flashear o libreboot nele, tive de abrir a criatura e trocar a placa wi-fi por uma que fosse amigavel a firmware livre, libertar meu netbook das algemas da BIOS (Software proprietário) por algo livre, me permitiu efetuar uma troca de hardware, de um que não funciona com firmware livre, por um que funciona! O Software Livre independe do hardware livre!

Espero que esse texto tenha clarificado a mente de alguns de vocês sobre as diferença entre a liberdade de software, a liberdade de escolha e a liberdade de hardware.

Elas são coisas diferentes, independem uma da outra e (se tratando da liberdade de software e de escolha) não são comutáveis.

Por hoje é isso, fiquem na paz e até a próxima.